Setembro Amarelo e o Suicídio versus 7 de Setembro da Independência ou Morte
07/09/2020 14:52 em Há Psicologia Aqui

_Hoje é 7 de setembro, dia em que comemoramos a independência do Brasil, curiosamente a frase que marca a nossa independência é “Independência ou Morte”, frase essa que apesar de muito divulgada não é real.  

Em setembro fazemos campanha contra o suicídio e hoje eu resolvi falar sobre isso usando nossa independência e a frase que crescemos ouvindo para ilustrar esse tema.

E se você ficou confusa (o) ou não entendeu o que uma coisa pode ter a ver com a outra, continua lendo e não desiste de mim.

A independência do Brasil não teve esse “glamour” de cinema nem a frase “Independência ou Morte” sendo gritada às margens do Rio Ipiranga, como mostra o quadro de Pedro Américo, mas talvez em nosso imaginário e inconsciente coletivo a ideia de “independência ou morte” esteja mais presente do que imaginamos.

Se você parar para analisar essa frase, verá o quão forte ela é: ou seremos independentes ou morremos/mataremos por isso, o que nos leva a cultivar, mesmo sem perceber, uma aversão coletiva à dependência.

Claro que ser dependente não é bom, agradável e muitas vezes nem é necessário, independência de fato é preciso, é importante, porém em alguns momentos é comum precisar de ajuda, buscar ajuda e até mesmo se sentir dependente de algo ou de alguém.

Mas quando a aversão à dependência se instala, é diferente, não se trata de não querer depender de ninguém, mas sim de sentir que não pode, não deve depender, e que qualquer necessidade de ajuda seja vista como o “fim da linha”.

O medo, as crenças de que não há saída, o julgamento, os ambientes errados e uma frase vem à cabeça “Independência ou Morte”

Se a independência parece distante, a morte que é vista como uma solução.

Daí o suicídio de quem nunca disse que estava mal, de quem parecia estar melhor, de quem talvez achou que depender era tão ruim, que não era um caminho válido.

Hoje eu quero aproveitar o 7 de setembro e o Setembro Amarelo, para dizer que assim como Dom Pedro não gritou independência ou morte no dia que proclamou a independência do Brasil, esse também não é um grito válido para as nossas dependências internas.

Morrer não é solução, ninguém está sozinho. Apesar de as vezes estarmos no lugar errado, com pessoas que não deveríamos, ou que não nos compreendem, há bilhões de pessoas no mundo, com certeza muitas delas são capazes de entender e nos ajudar em nossas dores, para que vivos e em paz possamos conquistar nossa independência.

Se você em algum momento sentir que apenas o término da sua vida será a solução, busque ajuda até encontrar, não tenha medo de depender, porque depender pode ser apenas o primeiro passo para que você seja livre e independente das suas dores.

Ligue para o CVV (188), procure uma psicóloga, fale com um amigo compreensivo. Mas não desista de você, não deixe que o seu inconsciente te faça acreditar que para ser independente você precisa morrer, porque não, isso não faz sentido.

Podemos nos apoiar, nos ajudar, podemos ser a mudança que queremos no Mundo.

Podemos resolver problemas, podemos nos reconstruir e podemos VIVER.

Então façamos isso.

Diga não ao suicídio, não julgue os suicidas, porque juntos somos mais fortes e mais úteis também.

 

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Por: Thais Almeida 

 

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