Opinião: enquanto o marketing for a principal estratégia, o Paris Saint-Germain nunca ganhará uma Champions League.
06/03/2019 22:08 em Esportes

Por Thais Nogueira

 

O Paris Saint-Germain está eliminado da Champions League. O clube francês jamais chegou a uma final de Champons League e não será em 2019 que alcançará esse feito. Resumindo o retrospecto do jogo: o PSG venceu o jogo de ida por 2 a 0, mas perdia o jogo de volta por 2 a 1. A classificação para as quartas de final ainda estava assegurada, bastaria que a equipe de Paris não tomasse mais nenhum gol. Ops, pênalti para o Manchester United nos acréscimos e... 3 a 1 para o Manchester United. Esse lance mudou toda a história do jogo.

Ontem, muita gente lamentou a queda do Real Madrid diante do Ajax. Entre as explicações, fim de um ciclo, queda de desempenho de muitos jogadores e a ausência de Cristiano Ronaldo. Tudo isso sem tirar o mérito do Ajax, que teve um desempenho espetacular. Essas são desculpas aceitáveis, sim. E que abrem um caminho para possíveis soluções para o time espanhol. Mas traçando um paralelo com o PSG, nenhuma desculpa para o jogo de hoje parecerá válida. 

Nós poderíamos crucificar o Kimpembe, autor de um dos gols da partida de ida, e autor do fatídico pênalti na partida de volta. Mas seria muito injusto. Poderíamos questionar o VAR e a legitimidade do pênalti. Poderíamos citar a falha de Buffon e a estratégia do United para explicar o resultado. Poderíamos por a culpa na ausência de Neymar, no Mbapée apagado e no Lukaku inspirado. Mas acontece que a derrota de hoje não fala apenas sobre o que aconteceu na partida. Ela escancara uma conta que não fecha: as sucessivas eliminações na Champions League que contrastam com todo o investimento milionário que há por trás disso tudo. Diferente do que aconteceu com o vitorioso Real Madrid, o ''projeto PSG'' até agora não vingou.

Porque não estamos falando de qualquer equipe. Estamos falando de uma das equipes mais ricas do futebol mundial. Desde que passou a ser comandado pelo magnata Nasser Al-Khelaifi, em 2011, o Paris Saint Germain investiu pesado e passou por todos os estágios possíveis: já teve um super elenco, com direito a David Beckham e Ibrahimovic. Hoje ainda mantém nomes de peso como Thiago Silva e Dí Maria. E mudou o alvo apostando no talento individual. Contratar um dos melhores jogadores da atualidade e pertencente ao todo poderoso Barcelona? Muito fácil quando dinheiro não é problema. Chega Neymar e logo após, o jovem prodígio francês Mbapeé. Mas tudo isso não explica o por quê após oito anos de investimentos gigantescos, o PSG tem que se contentar em ganhar apenas as fracas ligas nacionais como a Copa da França e o Campeonato Francês, que não são parâmetro para nada.

Para quem acha que a obsessão do Paris Saint-Germain é a Champions League, acertou em partes. Talvez seja para os jogadores e para os torcedores. Mas não para quem comanda o clube. O PSG disfruta daquilo que todos os clubes sonham: dinheiro aos montes. Mas lhe falta o essencial: ser comandado por alguém que também pense futebol. Por trás da instituição Paris Saint-Germain, há um fundo de investimentos que se beneficia e muito de todo o marketing gerado pela marca PSG, esteja o time ganhando ou perdendo. E o futebol vai ficando pra depois. O clube vai se tornando uma empresa qualquer, um amontoado de atletas a serviço do marketing.

 

A eliminação de hoje com certeza deixa os torcedores frustrados. Como bem disse a manchete pós-jogo do jornal francês Le Parisien: "Uma eliminação imperdoável''.  Resta saber até quando durará a paciência do torcedor parisiense, e se esse sentimento de decepção pode exigir uma mudança na postura do time e principalmente em seus mandatários. Ou se vai durar apenas até a próxima contratação milionária. Só o tempo dirá. Mas o que já é realidade é que enquanto o marketing for a principal estratégia, o Paris Saint-Germain nunca ganhará uma Champions League.

 

Foto: perfil oficial da UEFA Champions League no facebook

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