Dedetização pode aumentar casos de ataques por escorpiões
18/01/2019 15:16 em Saúde

     Mais de 100 mil acidentes e 200 mortes são registrados, por ano no Brasil, decorrentes de diferentes tipos de envenenamento. Entre elas, estão as ocasionadas por escorpiões. De acordo com o Ministério da Saúde, de 2000 ao fim de 2010, foram 359.599 casos de acidentes por escorpiões, sendo a Região Nordeste a campeã em registros – 171.899 acidentes. Em segundo lugar aparece a  Região Sudeste, com 148.039 casos, seguida pelas regiões Norte, Centro-Oeste e Sul.

     Entre as vítimas, crianças. Pesquisa realizada pelo Instituto Butantan, em São Paulo, mostra que 11 mil pequenos foram vítimas de acidentes com esses animais, apenas no estado, em 2011. Desses, 40 morreram. Entre os adultos, foram 46 mil registros de acidentes, resultando em 51 mortes. Os dados foram divulgados em setembro de 2011 pelo instituto.

     Porém, a Unidade Técnica de Vigilância de Zoonoses do Ministério da Saúde contesta os dados. Segundo os números do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), no ano de 2011, foram registrados, em todo o Brasil, 59.957 acidentes com escorpiões. O estado de São Paulo registrou 7.129 desses acidentes. Ainda de acordo com a mesma fonte, dos acidentes no País, 11.831 ocorreram em crianças com idade igual ou inferior a 14 anos e 48.126 em pessoas de 15 anos de idade ou mais. Ainda no mesmo ano, a unidade afirma que foram notificados no Brasil 92 óbitos em decorrência de acidentes por escorpiões, sendo 39 em crianças com 14 anos ou menos e 53 em pessoas com 15 anos ou mais. Para o estado de São Paulo, não há registro de óbitos em decorrência de acidentes escorpiônicos em 2011, segundo as informações do ministério.

     Em outros locais no Brasil, a situação de acidentes os animais se repete. O último caso de repercussão nacional  foi o de uma criança de 1 ano e 5 meses que morreu em abril deste ano após ter sido picada por um escorpião em uma creche no Guará, região administrativa do Distrito Federal. No desespero, muitos pais buscaram o serviço de dedetização contra escorpiões – que na capital federal saí por cerca de R$ 200. O que poucos sabem, no entanto, é que esse tipo de prevenção pode piorar o quadro e agravar o perigo.

     De acordo com Manual de Controles de Escorpiões do Ministério da Saúde, dedetizar um ambiente a fim de exterminar os escorpiões faz com que os animais se desalojem, mas permaneçam vivos, aumentando os riscos. Com a aplicação pulverizada do produto, os animais se movem para regiões de superfície, onde não há veneno, e a possibilidade de acidentes aumenta.

     Os escorpiões podem, ainda, permanecer longos períodos em abrigos – como frestas de paredes, telhas, escondidos em caixas e tijolos – que impedem que o inseticida entre em contato com o animal, causando uma falsa sensação de segurança. De acordo com o manual, os escorpiões possuem a capacidade de permanecer com seus estigmas pulmonares fechados e sem se alimentar por um longo período de tempo. “Qualquer veneno mataria o escorpião, desde que atingisse diretamente o animal. Mas, no caso da pulverização, dificilmente isso ocorre”, explica o o biólogo da Diretoria de Vigilância Ambiental do DF (Dival), Israel Martins.

     De acordo com o Martins, diante de animais irritados com os inseticidas, é comum registrar-se o aumento do número de ataques por escorpiões. Sendo assim, para evitar acidentes, o melhor é estar atento. Em casa, é preciso evitar vãos ou frestas nas paredes, vedar soleiras de portas com rolos de areia ou rodos de borracha, reparar rodapés soltos, colocar telas nas janelas e manter todos os pontos de energia e telefone devidamente vedados. Nas áreas externas, é importante manter quintais e jardins limpos, bem como colocar o lixo domiciliar em sacos plásticos  mantidos fechados.

Outras medidas para proteção:

– manter as camas e os berços afastados, no mínimo, 10cm da parede;

– evitar que lençóis e mosquiteiros de berço toquem no chão;

– não deixar acumular lixo e entulho de obra nos quintais, jardins, terrenos baldios e ao redor das residências (se tiver feito obra em casa e tiver restos de material de construção que tenham sobrado e estejam armazenados, mude-os periodicamente de lugar). CUIDADO com casinha de bonecas esquecidas lá no fundo do quintal, onde só a criança entra e os pais nunca vão fazer uma inspeção. CUIDADO com tocas, barracas… Cheque antes da criança entrar. CUIDADO com caixas de brinquedo.

– manter jardins e gramados aparados e bem cuidados;

– mesmo que o veneno comum não mate os escorpiões, mantenha a dedetização da sua casa em dia, pois ela mata as baratas, que são a principal fonte de alimento dos escorpiões;

– despeje água sanitária semanalmente nos ralos;

– antes de se vestir, bata os sapatos, luvas, bolsas, etc, sacuda as roupas (inclusive as de cama) para ver se não existem escorpiões dentro (eu sou psíca com isso!!! Sou a rainha da bateção de roupa e sapato antes de vestir!)

– Dica que recebi em uma rede social: escorpiões não gostam do cheiro de lavanda. Coloque uns galhos secos ou sementes nas janelas, portas e gavetas.

Como proceder em caso de acidente?
As medidas devem ser adotadas de imediato e o tratamento instituído o mais rápido possível após o acidente.
*O que fazer?
– Limpar o local com água e sabão. A picada do escorpião é bastante dolorida e não causa inchaço, nada visivelmente assustador. Se a criança apresentar muita dor e você não tiver visto o que a picou, leve ao hospital. Se identificou, vá ao hospital levando o escorpião junto em um vasilhame seguro. JAMAIS passe álcool no local da picada, apenas lave com água em abundância e coloque gelo. [Fonte: Secretaria de Saúde de Maringá]

– Procurar orientação médica imediata e mais próxima do local da ocorrência do acidente (postos de saúde, hospitais de referência)

– Se for possível, capturar o animal e levá-lo ao serviço de saúde pois a identificação do escorpião causador do acidente pode auxiliar o diagnóstico.

IMPORTANTE: Caso você ou um familiar tiver sido picado por um escorpião e estiver no hospital, entenda que há necessidade de se fazer um exame prévio para depois ser aplicada a sorologia. Não fique nas redes sociais reclamando de negligência do hospital ou dos profissionais sem entender antes o procedimento.

*O que não fazer?
– Não amarre nem faça torniquete;
– Não aplique nenhum tipo de substâncias sobre o local da picada (fezes, álcool, querosene, fumo, ervas, urina) nem faça curativos que fechem o local, pois podem favorecer a ocorrência de infecções;
– Não corte, perfure ou queime o local da picada;
– Não dê bebidas alcoólicas ao acidentado, ou outros líquidos como álcool, gasolina, querosene, etc, pois não têm efeito contra o veneno de escorpião e podem agravar o quadro.


* Colaborou Luanda Lima


Saiba o que fazer em caso de acidentes com escorpião:

 

 

 
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