Opinião: Piões que jogaram parados, o último debate do primeiro turno.
05/10/2018 06:22 em Política

Por Enio Ricanelo.  

- São Paulo - Numa colocação esportiva eu resumiria o último debate, realizado pela Globo nessa quinta (04), como o pênalti aos 45 do segundo tempo. Chance maior dos presidenciáveis se dirigirem a população dividida e incerta sobre a decisão de logo mais, no domingo. 

O clima de irmandade foi na contramão do que se praticava nos últimos anos, já que o primeiro colocado nas pesquisas de intenções de voto, Jair Bolsonaro do PSL, não compareceu por ainda estar se recuperando do atentado do último mês. Porém, no mesmo horário concedeu entrevista exclusiva para a Rede Record. 

Chamar o debate de um jogo de "piões parados" é uma excelente forma de explicar o que aconteceu ontem. Poucos foram os momentos em que os presidenciáveis saíram da zona de conforto para tentar roubar votos. Seja da extrema direita ou da extrema esquerda. 

Haddad, segundo colocado nas pesquisas, adotou um tom diferente nesse embate. Se esperava uma colocação mais puxada ao centro - lembrando o Lula "paz e amor" de 2002 - porém, Fernando flagelou de maneira direta Geraldo Alckmin e Henrique Meirelles.  

O discurso do PTista, porém, foi mais ameno no tocante a Ciro Gomes e Guilherme Boulos, ambos posicionados mais a esquerda da linha. Já visando um possível segundo turno. O que é de extrema estranheza no comportamento de Fernando foi a sua passividade com Bolsonaro. 

A ideia de se criar uma rivalidade maior entre os primeiros colocados seria óbvia, justo por Bolsonaro estar empatado com o candidato de Lula. No entanto, pela boca de Haddad, mal saiu o nome do candidato do PSL, quiçá algum ataque.  

O terceiro colocado nas pesquisas, e único a vencer Bolsonaro no segundo turno, foi bem no debate e pode falar diretamente com seu público. Foi o único que "bateu de frente" com militar. Foram inúmeras as falas contrapondo o candidato. 

MANDOU MUITO BEM! 

Além disso, Ciro e Boulos promoveram um dos únicos embates consistentes. A questão era sobre o tráfico de drogas e ambos candidatos adotaram um tom contrário a "Guerra às Drogas" que vem sendo utilizada no país. 

Ciro defendeu uma revisão da legislação, Boulos completou chamando a atenção da necessidade de migrar o uso de drogas para o SUS, tornando-a uma questão de saúde pública, como é tratada em países europeus. 

FOLCLÓRICO 

O mito do debate derradeiro foi, sem sombra de dúvidas, Álvaro Dias. O presidenciável do Podemos, fez questão de levar uma carta contendo perguntas diretas ao ex-presidente Lula. Que supostamente seria entregue à Haddad.  

Além de não conseguir formular as perguntas - e também as respostas- no tempo estipulado, Álvaro levava todas as perguntas para o tema corrupção. Sim, é um tema importante, mas não é o único. 

SEM SAL, SEM AÇÚCAR. 

“Escanteado”, sem apoio e pequeno nas pesquisas, Geraldo Alckmin não foi nada bem na noite de ontem. Era a maior chance do ex-governador se fazer nessas eleições. Foram algumas tentativas e estratégias terríveis como feitas na última noite, que fizeram com que o PSDBista tivesse uma apresentação tão mínima, até aqui. 

Inegável pertencente do centro-direita, Alckmin ainda não percebeu que o Brasil não está mais polarizado entre PSDB e PT. Mas, tentou fazer com que a polarização voltasse a baila de qualquer maneira. 

Chamar Haddad para o debate e tentar "bater" no PTista foi deslocado. No momento em que Geraldo deveria falar com seu público, preferiu investir em um discurso furado. 

Marina Silva, por sua vez, foi discreta. Vez ou outra tentou chamar a responsabilidade e falar diretamente com Jair, sem sucesso. A candidata desidratou de uma tal forma, que possivelmente essa será a última tentativa da Rede de chegar até Brasília. 

 

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