O centro em chamas: Luta por moradia
09/05/2018 - 22h52 em Variedades

 

Manifestação é marcada por comoção e reivindicação de direitos.

     SÃO PAULO - Moradia digna, direitos sociais e luto marcaram a marcha em memória das vítimas da ocupação do prédio no largo Paissandú. Os movimentos de moradia popular e simpatizantes, se reuniram hoje (09) na praça da Sé e protestaram pelas principais ruas do centro. Ao todo, segundo a organização, foram mais duas mil pessoas, durante as quase três horas de passeata.

    "Eles (políticos) tomam vergonha na cara ou esses incidentes vão continuar a acontecer", declarou Luiz Gonzaga dirigente nacional da CMP (Central dos Movimentos Populares), em relação a falta de políticas públicas de moradia. Para Gonzaga o esquecimento do "povo negro" que morava na ocupação é algo que tem de ser enfatizado, "ninguém lembra dos africanos, dos haitianos que moravam no local, cadê eles nas contas da polícia?", finalizou.

     Auxílio Moradia. Para os manifestantes, o valor acordado pela prefeitura no auxílio aluguel - que no primeiro mês será de 1.200 reais e 400,00 reais nos próximos meses até completar um ano - é abaixo do necessário e segundo o líder da CMP, é uma tentativa de marginalizar a população que ocupava o prédio. "Com esse valor esse povo vai morar na periferia da periferia, se conseguir".

     O valor é baixo se compararmos o valor médio do aluguel na capital paulista que é de 1.689 reais, segundo o site ImovelWeb. Para Eduardo Suplicy, vereador de São Paulo pelo PT, é dever de toda a câmara se unir para colocar luz no tema da moradia. "Precisamos prover uma moradia digna para essas pessoas".

     Suplicy também ressaltou a importância de se ter uma aliança supra-partidária para a resolução do problema habitacional.

     Adesão. Além das lideranças outras pessoas foram aderindo ao grupo no trajeto, como é o caso da dona Inês das Graças, que se juntou com a marcha por também não ter uma moradia. No caso dela, que mora com o filho, a aposentadoria não seria suficiente para pagar uma casa. "Eu não tenho onde morar, minhas coisas estão em um barraco, acho que a luta por moradia é um direito de todos", enfatizou.

     Na finalização da manifestação o grupo se reuniu no largo Paissandú e todos, em coro, rezaram pelas vítimas.

Enio Ricanelo, enviado especial, de São Paulo.

   

 

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