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Abuso Sexual
04/09/2017 - 12h23 em Taboão da Serra e região

 

Por Allan Santos

04/09/2017 - 12:23

 

Jovens do sexo masculino sofrem com assedio em transportes públicos

 

 

Não é de hoje que relatos sobre assédio sexual em transportes públicos são destaques nos noticiários de todo o mundo. Sempre tomamos conhecimento de alguém que já passou por esse tipo de constrangimento algum dia na vida, também já ouvimos histórias ou até mesmo já protagonizamos cenas desse tipo em determinados momentos em nossas vidas.

 

Já sabemos também que 86% das mulheres que usam o transporte coletivo são assedias diariamente, segundo a pesquisa feita pelo Instituto Yougov no ano de 2016. O que não sabíamos é os homens héteros e gays também vêm sofrendo com esse tipo de comportamento dentro dos coletivos. Geralmente esses abusos acontecem em horários de picos, quando os meios de transportes estão mais lotados.

 

A pratica constante desses atrevimentos estão assustando os usuários, que na sua maioria são jovens homossexuais, no entanto homens héteros não ficam de fora desses abusos. Perfil dos praticantes desse tipo de abusos são homens, acima dos seus 28 anos de idade, aparentemente, que se aproximam de suas vítimas disfarçadamente aproveitando a superlotação dos ônibus ou trens, eles se sentam ao lado da vítima como quem não quer nada, e começam a passar a perna, depois esfregando o braço, dando aquelas famosas cutucadas nada ingênuas, ou ainda aquelas indiscretas encoxadas, quando estão seguindo viagem de pé, e quando as vítimas se dão conta, já foram vítimas de ‘mentes perversas’.

 

Isso é tão desconfortante para quem quer que seja, porém quando se trata de jovens homossexuais, o assunto se torna ainda bem mais delicado, pois quando se é mulher é só gritar, e logo terá um batalhão de pessoas para protege-la. Mas quando a vítima não é mulher, é mais fácil se levantar, ou tentar dar mais um passinho para frente ou para o lado, como se nada houvesse acontecido, porquê ainda corre o risco de todos ficarem contra a vítima devido a sua orientação sexual e, toda a mistificação negativa criada com a ajuda da libertinagem, que alimentam o imagético da sociedade.

 

Para Marcelo Dias (25) "É uma tremenda falta de respeito, é vergonhoso e medonho, precisamos nos respeitar, e para evitar esse tipo de constrangimento eu evito ao máximo entrar em ônibus lotado ou trem, no metrô é mais suave, mas mesmo assim eu evito, e quando não posso evitar sempre fico naquela parte onde tem poucas pessoas", disse o publicitário.

 

Já o estudante Lucas Sousa (23), acredita que os homossexuais são mais suscetíveis a esse tipo de prática porque representam uma imagem mais fragilizada. “Os gays são mais frágil do que os héteros, eu acredito que seja por isso que sofremos mais do que eles, ainda que sejamos, não acho legal passar por essa experiência, já aconteceu comigo algumas vezes no metrô, uma vez fiquei tão envergonhado e sem jeito que tive que descer na próxima estação.

 

Kássio Ferreira (26), diz que ninguém está a salvo, “mesmo eu hétero, com o corpo malhado e barba cumprida já fui alvo desses sacanas algumas vezes, mas soube como conduzir a situação, porque para mim é mais fácil coibir, por ser hétero, é só olhar com cara feia, pedir respeito e já era. Mas isso não funciona com todos, inclusive gays ou mulheres que sofrem bastante com isso”, disse o analista de sistemas.

 

O atendente de telemarketing Wellington Moraes (22), acrescenta que nos ônibus coletivos a história é a mesma, e se repete com frequência, “Nos ônibus acontece muito, quase todos os dias, principalmente em horário de pico, no final da tarde. É nessa hora que eles se aproveitam para atacar, sempre passo por isso, e prefiro até ficar ao lado das mulheres, porque sei que não vão querer aprontar comigo”.

 

Ainda não se tem dados oficiais revelando quantas pessoas do sexo masculino sofrem assédios por homens na busca de realizar suas perversões. Na Avenida Paulista, aqui mesmo em São Paulo, foram entrevistados 15 jovens do sexo masculino, sendo 10 jovens homossexuais e 5 héteros, de idades entre 18 e 26 anos, 9 deles já passaram por situações semelhantes, no metrô, no trem e nos ônibus municipais e intermunicipais, esses dados são relativamente altos, uma vez que 9 dos entrevistados responderam positivamente que já passaram mais de uma vez por assédios sexuais em transportes públicos, sendo que todos os entrevistados passaram por situações parecidas e também já presenciaram algum ato "suspeito" dentro dos coletivos.

 

Levando em consideração que cada caso é um caso, e cada caso tem sua história, para entender melhor como funciona a mente e as motivações desses ‘fetichistas’ o psicólogo do Hospital São Paulo, Fernando Rosa (27), explica: "Não dá para generalizar motivações comportamentais, tem várias coisas em jogo. Submeter o outro ao seu desejo, causar constrangimento, exibição pública, transgredir o socialmente proibido. Todas essas coisas têm um pouco a ver com isso. Tudo está relacionado à necessidade de satisfação, de prazer através da derrubada de limites sociais, beirando um certo tipo de sadismo. Em relação aos homossexuais serem mais vítimas desse tipo de assédio tem a ver com a construção da ideia distorcida de uma hipersexualidade e promiscuidade que paira sobre esse grupo, ou seja, o pensamento é 'vou roçar no cara por que ele não vai reclamar e ainda vai curtir”.

 

Infelizmente esses comportamentos é uma realidade assustadora que só quem já passou por isso, sabe que o quão constrangedor é, nos resta então nos policiar e ficar atentos a quem se aproxima, lembrando que respeitar o outro é uma regra básica para qualquer um que viva em sociedade.

 

Imagem: Linha 4 amarela do metrô / Allan Santos

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