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Abre Aspas: Izilda Alves, autora de "Guerra pela vida"
24/04/2017 - 10h29 em Esporte Especial

Abrimos Aspas nessa semana para ouvirmos, sentirmos, aprendermos e vivenciarmos os ensinamentos do livro "Guerra pela vida - A Campanha da Jovem Pan contra as drogas", lançado em novembro de 2016 e disponível nas melhores livrarias do país. A conversa com a  jornalista Izilda Alves contextualiza o objetivo do livro-reportagem, aponta os riscos da dependência química, conta as experiências retratadas em depoimentos colhidos pelo livro, esmiuça o atendimento na rede pública aos dependentes e seus familiares, revela o trabalho da Federação Amor Exigente e deixa uma mensagem aos pais e mães de crianças e adolescentes. 

 

Vagner Freitas: Como surgiu a iniciativa do livro "Guerra pela vida - A Campanha da Jovem Pan contra as drogas"?

 

Izilda Alves: O objetivo deste livro-reportagem é contar a história da  campanha Jovem Pan Pela Vida, Contra as Drogas, criada pelo presidente  da  Jovem Pan, Antonio Augusto Amaral de  Carvalho, em 2002. Durante 12  anos, esta  campanha de prevenção atendeu pedidos de  700 escolas públicas e particulares, Rotarys, Lions, clubes, hospitais e empresas em 39 cidades de  São Paulo. Conquistou 26 prêmios e ganhou o reconhecimento de todas as  câmaras municipais de  São Paulo. Alcançou público de  cerca de meio milhão de pessoas de 10 a 70 anos, entre pais, alunos e professores. Foi ação de  responsabilidade social pioneira no País, com benefícios sociais e humanos indiscutíveis. Mas o problema das drogas continua imperando, portanto, registrar em livro é manter o trabalho da Jovem Pan em prol do bem social, do bem humano. No livro, depoimentos de dependentes em recuperação descrevem a grave doença causada pelo uso de  drogas, a dependência química; mães e pais contam o sofrimento das famílias  de  dependentes; 17 especialistas explicam a doença e o nosso consultor jurídico, criminalista Mário de Oliveira Filho, descreve o processo que sofremos  por ação de integrante da marcha da maconha, por dois anos, e vencemos em todas as instâncias. São histórias emocionantes e de superação.  

 

Vagner: O maior risco no uso de drogas é a dependência química?

 

Izilda: Drogas representam hoje o maior problema de saúde pública no Brasil. Não só pela grande mortalidade de jovens mas também como causas de doenças  crônicas. É doença grave reconhecida pela Organização Mundial da Saúde, que se  caracteriza pela vontade incontrolável de repetir a droga em doses cada vez maiores. Experimentar é sempre risco para a dependência química. Com o aumento da oferta  de drogas, desrespeitando a lei 11.343/2006 e o Estatuto da  Criança e do Adolescente, cresce a violência e aumentam  os casos de infecções graves como Aids, por uso de  drogas.   

 

Vagner: O livro apresenta depoimentos de dependentes em recuperação e de pais. Ir ao encontro da realidade do próximo e sentir o que ele vive é a maneira mais concreta de se estruturar para estar com alguém que passa pela "Guerra da vida"?

 

Izilda:  Sim. O método mais convincente de explicar como é a grave doença causada pelo uso de drogas é pela identificação. Eles viam pessoas das classes sociais deles contando, ao vivo, porque experimentaram, porque aumentaram a quantidade, porque mudaram de droga e o que aconteceu quando descobriram que eram doentes, que não conseguiam mais deixar de usar. Viam também, ao vivo, mães contando o sofrimento que o uso de drogas pelos filhos causou na família. Não conheço mãe que não tenha ficado doente após viver o estresse de  ter filho dependente de drogas. Além disso, culpa e falta de informação sobre a doença dificultaram o tratamento. Na nossa experiência, crianças, adolescentes e pais que assistiram a esses depoimentos se convenceram do real risco do uso de  drogas.

   

Vagner: A prevenção é a única vacina contra as drogas?

 

Izilda: Sim. Prevenção nas escolas, a partir da infância, já que temos registros preocupantes  de uso de drogas por  crianças de oito, nove anos em São Paulo.

 

Vagner: A rede pública está estruturada adequadamente para atender os dependentes e seus familiares?

 

Izilda: Não, não está. Faltam vagas  e especialistas. É doença que exige tratamento do dependente e de  sua família. O SUS não tem nem ambulância para socorrer família com dependente em surto ou para levar dependentes para cidades onde ficam comunidades ou clínicas. Muitas famílias contam que nos CAPS (Centro municipal de atenção psicossocial), uma espécie de pronto socorro para dependentes e porta de entrada para a rede pública, não há indicação de internação, mesmo quando o filho já está violento pelo uso de  drogas. Nos CAPS, mantidos pela Prefeitura,  o tratamento adotado é o de  Redução de  Danos, ou seja, recomenda ao dependente "ir diminuindo a quantidade de droga" para uma doença que exige, cada vez mais, aumentar a quantidade. OS CAPS dificilmente indicam  internação.   

 

Vagner: A renda liquida do livro vai para a Federação Amor Exigente. Como é o atendimento e qual  a abrangência do atendimento que eles prestam?

 

Izilda: A Federação do Amor  Exigente é formada por pais que já enfrentaram e superaram a  dependência de drogas em suas famílias. Hoje, eles atendem, acolhem, orientam e auxiliam no tratamento GRATUITAMENTE de 100 mil dependentes e suas famílias, por mês, no Brasil.Realizam reuniões, cursos e palestras. São mais de mil grupos no Brasil, um na Argentina e 14 no Uruguai. 

 

Vagner: Como identificar que alguém está curado da dependência química e como deve ser o acompanhamento das famílias após esse diagnóstico?

 

Izilda: Dependência química não tem cura. Tem recuperação, portanto,pode haver  recaídas. Família é essencial no tratamento. Especialistas contam no livro que os  melhores resultados foram com filhos de pais que frequentam grupos de  auto ajuda como o Amor Exigente para entenderem a grave doença  causada pelo  uso de  drogas. Como ensina o Amor  Exigente: "O Sentimento de culpa torna as pessoas indefesas e sem ação. Acusar alguém ou alguma coisa para se livrar da responsabilidade do que não está dando certo com você ou com os seus nada resolve. Sem sentimento de culpa, de autopiedade ou de raiva, estaremos livres para agir e deixar que os outros cresçam, arcando com as consequências (boas ou más) do próprio comportamento. Portanto, não permitir abusos e desrespeitos, cuidar para que as atitudes sejam corretas e corajosas, assumir posições claras e bem definidas e ser firmes e perseverantes, sem nos omitir, nem delegar responsabilidades para terceiros." 

 

Vagner: Por fim, sabemos que crianças e adolescentes usam drogas em todo o país, apesar do Estatuto que os protege. Que mensagem pode deixar as mães e pais que são os primeiros responsáveis por eles?

 

Izilda: Participe mais da vida do seu filho, fazendo, pelo menos, uma refeição por dia com ele e ouvindo o que ele tem a dizer. Conheça os colegas do seu filho. Prefira reuniões dos amigos de seu filho na sua casa e observe os comportamentos. Converse mais com os professores dele para saber como é o comportamento na escola. Se é menor, vá buscar na festa e, se possível, com os coleguinhas para ouvir os comentários deles do que ocorreu na festa. Se houve bebida ou droga, no dia seguinte, converse com seu filho explicando que na sua casa se obedece a lei e a lei proibe uso de  drogas porque prejudicam a saúde. E ensine a palavra mais difícil do dicionário: NÃO.

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